Jogada Ensaiada


nem sempre cabe mais um
quarta-feira, 28/11/2007, 12:06 pm
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Homenagem ao excelente repórter Tino Marcos:

Realmente, Tino, não cabia mais ninguém. Só não precisava levar o menininho junto.

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a polêmica do penta
quinta-feira, 08/11/2007, 5:51 pm
Filed under: Textos, Vídeos

Nos últimos dias não se fala de outra coisa na mídia esportiva: quem foi o primeiro pentacampeão brasileiro? De um lado, o Flamengo defende seus cinco títulos, conquistados em 80, 82, 83, 87 e 92. Do outro, São Paulo, Sport e CBF proclamam o tricolor paulista como o primeiro penta da história. Afinal de contas, quem está certo e quem está errado?

Para esclarecermos a questão, voltemos no tempo ao ano de 1987. Com a organização de uma burrocrática CBF, tivemos a realização em 86 de um campeonato inchado e complexo, que contou com nada menos que 80 clubes e só terminou no ano seguinte. Os resultados foram catastróficos e a média de público um fracasso. A fórmula complicada e o excesso de times participantes espantaram investidores, que não tinham bala na agulha para investir em um campeonato tão pesado. O país correu o risco de não ter um campeonato brasileiro em 87.

Então os grandes clubes brasileiros, num gesto inédito na história do futebol do país, romperam com a CBF e se uniram para lutar por seus interesses comerciais e realizar seu próprio campeonato. Nascia o Clube dos 13, reunindo Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense, São Paulo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional e Bahia. Os treze clubes convidaram ainda Coritiba, Goiás e Santa Cruz e organizaram a Copa União, com uma fórmula simplificada entre os 16 clubes participantes e com um plano de marketing elaborado previamente, abrindo novas fontes de receitas inexistentes até então.

O campeonato foi um sucesso, demonstrando uma força que os clubes até então não sabiam que possuíam. Média de público nos estádios infinitamente mais alta que a do ano anterior e rentáveis patrocínios (Coca-Cola, Varig, entre outros) levaram o campeonato a um status que ninguém imaginava que poderia chegar, nem mesmo a CBF. E quem é que quer ficar de fora de uma festa que está sendo um sucesso? A CBF que não ia querer. Então no meio do campeonato a entidade, que não havia se oposto em momento algum à organização da Copa União por parte dos clubes (nem poderia), resolveu entrar na festa. Os clubes não se opuseram por se tratar do órgão máximo do futebol, o que traria prestígio ao torneio e ainda apaziguaria a situação política.

A Confederação fez algumas “pequenas alterações” no regulamento. Coisa pouca. Como, por exemplo, cruzar os finalistas da primeira divisão com os finalistas da segunda divisão. Me expliquem a lógica disso, por favor. E a tabela da segundona nem estava definida ainda. Eu não consigo imaginar um regulamento mais esdrúxulo, nem os clubes conseguiram. Então, resolveram prosseguir com a Copa União e ignorar a alteração promovida pela CBF. Para o Clube dos 13, organizador da Copa União, o campeão brasileiro da primeira divisão seria o vencedor da final do módulo disputado entre clubes de primeira divisão. Nada mais lógico e justo.

Então o campeonato prosseguiu, Flamengo e Internacional fizeram uma final memorável, disputadíssima. Empate em 1×1 em Porto Alegre, seguida de vitória suada do rubro-negro no Maracanã por 1×0. Título merecido do time da Gávea, que teve um adversário à altura na final. Dois times excelentes, com jogadores de seleção brasileira, e não faria o menor sentido cruzar com times da 2ª divisão. Sport e Guarani fizeram uma final tão fraca que a decisão por pênaltis ficou empatada em 11×11 e não terminou. Agora me digam: alguém imagina o São Paulo tendo que enfrentar o Coritiba ou a Portuguesa para ser campeão de 2007?

A CBF não reconheceu o Flamengo como campeão, não iria dar o braço a torcer e admitir que mais uma vez fracassou tentando organizar um campeonato, e que os clubes ao se rebelarem conseguiram ter o êxito que tiveram. O rubro-negro carioca tentou ser reconhecido como o campeão de 87 na justiça sem sucesso, afinal, a CBF é o órgão máximo do futebol no país. O tempo passou e aí está o principal erro do Fla: ter deixado o tempo passar. Veio o 5º título em 92 e o clube comemorou o pentacampeonato na raça, na voz da torcida e do senso comum. Mais uma vez, o tempo passou. Os tempos mudaram, o futebol mudou, e o Flamengo não ganhou mais um Brasileiro sequer pelos 15 anos subseqüentes, fruto de administrações incompetentes que se acomodaram e se contentaram em gritar aos quatro ventos os títulos de “maior clube do país”, “maior torcida no Brasil” e “único pentacampeão brasileiro”.

E o tempo passou. O São Paulo, clube com estrutura invejável, venceu 3 Libertadores, 3 Mundiais e agora, em 2007, chega a um pentacampeonato muito justo. O Flamengo não é mais o único pentacampeão brasileiro, e seus dirigentes resolveram reclamar AGORA o título vencido há nada mais, nada menos que VINTE anos atrás. Não é a hora nem o momento adequado. O momento é do time do Morumbi.

O Sport, que nunca mais ganhou nada, defende com unhas e dentes o título da segunda divisão que a justiça tornou de primeira.
E o tricolor, que não tem nada com isso, comemora seu pentacampeonato feliz da vida.

Minha única ressalva: antes de escreverem na camisa a infantil provocação “penta único”, deveriam prestar atenção na própria história.

Com a palavra, Carlos Miguel Aidar, na época presidente do São Paulo e também do Clube dos 13:

PS: As taças que você viu aqui, fotografadas pela reportagem do Globoesporte.com, estão na sede do rubro-negro carioca, na Gávea.