Jogada Ensaiada


jogo de interesses (mais polêmica sobre o penta)
sexta-feira, 16/11/2007, 2:31 pm
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Telão rubro-negro
Telão no Maracanã aponta o Flamengo como primeiro pentacampeão brasileiro.
Foto enviada pela leitora Fernanda Costa.

Clube dos 13 pede divisão do título de 1987

Entidade quer Fla e Sport campeões. São Paulo critica. CBF não se posiciona

O Clube dos 13 entrou oficialmente na polêmica do penta. Em reunião realizada nesta terça-feira, a entidade decidiu que vai pedir para a CBF dividir o título de 1987 entre Flamengo e Sport, o que daria ao clube carioca o status oficial de primeiro pentacampeão brasileiro.

Nos últimos dias, a polêmica sobre o assunto cresceu por conta do título conquistado pelo São Paulo e da idéia da CBF de entregar ao clube paulista a taça das bolinhas, que seria dada ao primeiro clube que conquistasse o Brasileirão cinco vezes. O Clube dos 13 quer que a CBF reconheça Flamengo (campeão do módulo verde de 1987) e Sport (campeão do módulo amarelo) como campeões.

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Por essa, realmente, eu não esperava: o Clube dos 13 se manifestando a favor do reconhecimento do Flamengo como campeão brasileiro de 87, juntamente com o Sport. Flamengo este que nos últimos meses vem, através do seu presidente Márcio Braga, tecendo severas críticas ao Clube dos 13 juntamente com o São Paulo, que por sua vez se manifestou contra o reconhecimento do título do rubro-negro carioca. O Sport criticou o clube da Gávea, espalhando outdoors parabenizando o SPFC como primeiro pentacampeão brasileiro, e agora pede o reconhecimento do título carioca juntamente ao seu.

Esta solução proposta pelo C13 é a que agrada a todos: Flamengo, que finalmente teria reconhecido seu pentacampeonato; Sport, que não correria o risco de ter seu único título importante questionado; e o próprio C13, que além de trazer o Flamengo para seu lado (importante aliado por sua força política), teria reconhecido como oficial o título da Copa União, organizada por ele.

O único “prejudicado” com este possível reconhecimento seria o São Paulo. Digo “prejudicado”, entre aspas, porque o tricolor paulista não irá perder absolutamente nada se o título rubro-negro for reconhecido pela CBF. Continuará sendo pentacampeão brasileiro, tricampeão da libertadores e tri mundial; continuará sendo o maior clube brasileiro da atualidade, com a melhor estrutura e já favorito por antecipação para ganhar tudo que é título ano que vem. O time do Morumbi só correria o risco de não ficar com a tão falada taça das bolinhas, que não significa absolutamente nada de relevante.

E o São Paulo sabe disso. Não é por discordar do título do Flamengo que eles não apoiaram o pedido do C13 à CBF. Pra eles, tanto faz o rubro-negro carioca ser eleito campeão de 20 anos atrás ou não, eles possuem outras coisas para se preocupar. O São Paulo deixou de assinar o pedido por questões meramente políticas, por discordar do modelo de gestão do C13 e vir batendo de frente com a entidade há algum tempo, como diz o superintendente de futebol do tricolor:

– Essa questão de dar o título de 1987 para o Flamengo é só uma tentativa de aproximar o Flamengo deles e de criar uma tensão entre São Paulo e Flamengo. Para nós, pentacampeões, não muda nada. O São Paulo é um clube independente. Na nossa visão, o Clube dos 13 é um modelo ultrapassado e por isso não participamos – diz Marco Aurélio Cunha.

A CBF ainda não se posicionou sobre o assunto. Se antes eu duvidava, hoje já não coloco a mão no fogo e acho até possível que a entidade reconheça o rubro-negro carioca como campeão juntamente com o Sport. Colocaria fim a esta discussão que já dura 20 anos e deixaria os clubes satisfeitos, o que é interessante para a CBF. Por outro lado, ter 2 campeões no mesmo ano pega mal à beça, além de tirar a moral da entidade que peitou o C13 na época e declarou o clube de Recife como o único campeão.

O Governo do RJ, através de sua Secretria de Esportes, já preparou uma homenagem ao Fla, com direito a taça produzida especialmente para o clube pelo mesmo artista que elabora os troféus da CBF, com a inscrição “Primeiro Penta do Brasil”. Vale lembrar que a Secretaria de Esportes e o Governo do RJ se aproximaram bastante da Confederação nos últimos tempos, por conta da candidatura brasileira à Copa de 2014.

Aguardemos os próximos capítulos da novela. Tudo pode acontecer.

E há quem acredite que não existe politicagem no futebol.



o segredo do são paulo
terça-feira, 06/11/2007, 2:05 am
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Reta final do Campeonato Brasileiro e o São Paulo, com 4 rodadas de antecedência, conquista o pentacampeonato com uma vantagem de 15 pontos para o segundo colocado Santos. É a segunda conquista consecutiva do clube paulistano, sendo a melhor campanha entre seus 5 títulos e a melhor entre todos os clubes na história da fórmula por pontos corridos.

O time do Morumbi é sem dúvida o maior clube do Brasil na atualidade, com 5 Brasileiros, 3 Libertadores e 3 Mundiais. Currículo muito mais do que respeitável, o melhor entre os clubes brasileiros. Mas qual o segredo do São Paulo? A resposta é: não existe segredo. Com uma administração séria, clara e transparente, o São Paulo não fez nenhum milagre para chegar aonde chegou hoje, e para quem duvidar o clube disponibiliza em seu site oficial seu último balanço patrimonial. Sem contratações mirabolantes, sem malabarismos financeiros para manter suas equipes, o tricolor paulista baseia seu sucesso em duas simples palavras: planejamento e competência. Tanto no futebol como no mundo dos negócios, é exemplo para todos os clubes do país em matéria de organização. Sabe o potencial que tem, e, mais importante, sabe muito bem como explorá-lo.

Não é à toa que o clube acaba de renovar com a Reebok fechando o melhor contrato com fornecedores esportivos dos quais já se teve notícia no Brasil (R$15 milhões anuais, o DOBRO do contrato anterior). O valor é mais alto do que todos os patrocínios master* de clubes brasileiros, e igual ao patrocínio do próprio São Paulo com a LG. Logo deve ser anunciada a renovação com a LG e não me surpreenderia mais uma quebra de recorde em matéria de valores. As empresas querem se associar ao São Paulo não apenas pela imagem vitoriosa e bem vista do time. Além disso, o que atrai os patrocinadores são as oportunidades que o clube oferece, e a certeza do cumprimento com seriedade. No Morumbi, estádio próprio do clube, existe uma megastore da Reebok que vem dando resultados fantásticos à empresa. Coca-Cola e Saraiva devem em breve estar presentes no estádio, a primeira com um bar temático e a segunda com uma loja própria. Isso não acontece por acaso. O São Paulo possui uma imagem impecável, imagem de bom moço. Alguém sabe me dizer alguma picuinha ou escândalo político em que o clube tenha se envolvido nos últimos anos? Algum jogador do São Paulo apareceu envolvido em escândalos na mídia?

Além dos patrocínios, o São Paulo vem conseguindo ampliar suas receitas com outras fontes diversas, como o aluguel do Morumbi , camarotes, além da inevitável venda de jogadores. E é aí que está talvez a principal sacada do clube. O tricolor é o clube que melhor contrata no Brasil. E engana-se quem pensa que o clube gasta rios de dinheiro nas contratações. Os dirigentes seguem com excelência uma matemática simples, porém difícil de se encontrar nos clubes brasileiros: comprar barato e vender caro. Os dois últimos títulos foram alcançados sem nenhum grande jogador de destaque (à exceção de Rogério Ceni, que merece um post à parte, podem cobrar), mas com contratações realistas e honestas e com garotos vindos da base que demonstraram grande qualidade, como o zagueiro Breno; no tricolor, a força se fez através do conjunto. Méritos para o ótimo Muricy Ramalho, que realizou um trabalho excepcional à frente do time e soube aproveitar cada peça, e para a diretoria que soube mantê-lo mesmo quando a mídia pedia sua cabeça após as eliminações no Paulistão e na Libertadores.

*Patrocinio master é a nomenclatura utilizada por muitos clubes para o principal patrocíno do clube, que engloba normalmente a marca da empresa estampada na frente e nas costas da camisa de jogo do time, entre outras propriedades. É, normalmente, a cota mais cara de patrocínio.